segunda-feira, julho 25, 2005

Olha a língua da sograaa

As descobertas que se fazem no regresso à praia são de facto fascinantes e nalguns casos atractivas... para além das novas colecções de fatos de banho, os masculinos compridos e com flores e os femininos monoquinis e triquínis (esta é a parte fascinante), surgem novas atracções... estas mais viradas para os odores e para os sabores.

A praia está repleta de novos bronzeadores que exalam aromas silvestres e exóticos, os corpos ficam brilhantes e apetecíveis (finalmente acabaram com os protectores que deixam a cútis esbranquiçada e lilás depois do mergulho).

Entre tantas novidades pergunto: o que é que aconteceu ao mítico "olha a língua da sogra", ou "olha a batatinha frita" e ainda "é frut'óóóó chocolate... olh'óóóó gelado Olá"? Todos os slogans da praia que preenchem as minhas memórias da infância e juventude foram substituídos!? Agora têm pronúncia brasileira e respondem por "berlim, bola de berlim" e "bolacha americana".

São os sinais da evolução no tempo aos quais devemos estar atentos porque neles estão implícitas outras transformações! Reparem nas novas máximas... (não esqueçam a pronúncia brasileira)" olháá bolinha, frésquinha, com crémi, sem crémi" ou no caso da bolacha americana "olháá bolacha américana, dá p'ra a prima, p'ra mana e dura toda a semana".

Destas novas sonoridades e conteúdos podemos depreender que as bolas de berlim estão dentro da geleira e que não são as originais... onde é que já se viu bola de berlim sem creme? Será por causa da dieta alimentar que a grande maioria das mulheres tenta praticar ao longo de toda a vida ( há sempre uma mulher perto de nós que diz estar a fazer dieta, já repararam?)? Já que é para pecar ao menos que o pecado valha a pena... venha de lá um bola de berlim com tudo a que temos direito: muito açúcar e creme a transbordar!

E a bolacha americana? Se é suficiente para 3 pessoas e dura uma semana, só temos duas hipóteses: ou é muito grande, ou é um sinal de que a economia está realmente num estado preocupante e mais, temos que ir ao sapateiro mais próximo para fazer mais uns furinhos no cinto de forma a podermos apertá- lo até ficarmos com uma cinturinha de abelha!

A bola de berlim até me parece boa ideia mas a bolacha americana? Não podia ser antes uma Maria torrada?

Há, no entanto, coisas que nunca mudam... como o avozinho que veste os calções de banho na praia enrolado na toalha, presenteando- nos com momentos únicos de delírio! Avozinhos de Portugal: vistam os calções de banho em casa, no carro, no WC, em qualquer lugar menos na praia defronte dos restantes veraneantes! Há crianças de tenra idade que podem ficar inquietas e começar a colocar questões constrangedoras aos pais! Ou será que pensam que uma toalhita faz milagres? Acreditam que durante toda aquela agitação de veste e despe a vossa intimidade está salvaguardada? Saibam que não está! Eu estava lá e vi!!

Perdoem- me a ingnorância mas não podia terminar esta reflexão sem deixar mais uma das minhas dúvidas existenciais... qual a origem do nome desse biscoito "língua da sogra"? Não me parece um nome muito apelativo, afinal alguém quererá comer a língua da sogra? Será para ela deixar de falar? Mesmo que seja esse o intuito não soa lá muito bem...!

1 comentário:

rita disse...

(gargalhadas)

ahh...e o que é que aconteceu ao mítico 'linhas trocadas'?....
Noutro dia estava mesmo a pensar em sinais destes... de evolução no tempo!
Lembro-me de quando era miúda e telefonava duas vezes para o mesmo número errado...os meus pais diziam-me para perguntar de que numero respondiam...e depois eu ligava para o número errado...e atendia a pessoa com quem eu queria falar! ...'linhas trocadas'! os 'jacks' estavam acidentalmente mal colocados. mesmo. fisicamente. as 'meninas' tinham trocado as linhas.
Hoje chamamos-lhes... ligações analógicas...que rudimentares eram...mas também, que fáceis de estabelecer ! Nas ligações digitais... all I can hear is... 'wrong number' !
Ao mesmo tempo... falávamos para o 'estrangeiro' e a ligação era estranhamente límpida...as pessoas pareciam mais perto do que aquelas que viviam na nossa cidade!
Com o passar do tempo... já nem perguntamos quem fala, nem sabemos os números de telefone de cór, nem precisamos de anunciar quem somos...

Na mesma linha...um priminho meu, na casa dos treze anos, acabadinho de chegar dos EUA, repara no avô lisboeta a dar corda ao relógio e fica fascinado!... 'o que eles inventam!!!... um relógio que não precisa de pilhas!...'

back to basics? back to the future? can we have both?
........................................can I have both?