sexta-feira, outubro 14, 2005

Estar "Onduline"

Há muito que utilizava a expressão "estar com a telha" para designar o meu estado de espírito naqueles dias em que o mundo se lembra de me contrariar (exemplo: no hipermercado um corredor cheio de embalagens de Nestum e não haver 1 único exemplar do clássico MEL), naqueles dias em que a existência me irrita, naqueles dias em que "ser" me deixa à beira de um ataque neurótico (e aviso, desde já, que o sentimento não está relacionado com o síndrome pré- menstrual ou o diabo que o valha e que o carregue)!

Já sentia que "estar com a telha" não era suficiente para caracterizar este avançado estádio de irritabilidade e entrei no trabalho avisando "trago um telhado completo"! Porém, mesmo assim, senti que faltava algo nesta descrição queirosiana... faltava o Onduline (uma cobertura absolutamente impermeável, mesmo que por motivos externos, as telhas se movam ou partam. Serve de protecção contra a água que é forçada, pela força do vento, a passar por entre as telhas)!

O que, em gíria star*dustiana, significa que não há nada que faça passar o mau humor; é como se existisse uma redoma à nossa volta que nos isola dos outros a nosso pedido... não deixa passar piadas e graçolas, nem palavras de conforto e tudo o que nos é dirigido faz ricochete endereçado ao remetente, tipo boomerang!

Quando se está Onduline o melhor a fazer é não contactar com ninguém que fale a mesma língua que nós ou que interprete gestos (sob pena de ferir a sensibilidade alheia); partir garrafas no "ecoponto" e a mais recente receita que me deram: gritar "Ai, o c*****o!" 8 vezes seguidas sem respirar!

Atenção: jamais ler aqueles mails com apresentações pps que falam de como a vida é bela e de como só depende de nós estar bem! Num dia Onduline não podemos sujeitar- nos a esse tormento ou corremos o risco de o estado Onduline se prolongar por mais 1 ou 2 dias (dependendo do conteúdo do pps pode chegar a uma semana).

1 comentário:

psychic disse...

pois, para mim há dias em que dificilmente se pode estar bem disposto. Tudo parece correr mal desde que pomos o pé fora da cama (ou mesmo ainda dentro dela!)...
Relativamente a palavras libertadoras opto por uma palavra que começa por "f", termina em "e" e no meio tem "oda-s"... Continuo a achar que foneticamente é libertadora e sai toda numa expiração (tipo suspiro irritado!)