terça-feira, agosto 02, 2005

Cromos repetidos

Na minha caderneta encontro diversos cromos repetidos que insistem em desabrochar para o mundo quando estou a passar por eles... faz- me lembrar aquela idade em que me dava ao trabalho de gastar uns troquitos nas saquetas de cromos, adquiridas no quiosque no caminho para a escola, para colar na caderneta... lá abdicava das pastilhas gorila em prol dos cromos que acabavam por ser repetidos... isto é, que não traziam nada de novo (a não ser às mobílias do quarto, aos cadernos, ao estojo)! E quantos espaços das cadernetas ficaram por preencher por causa dessa repetição, e quantas marcas de cola ficaram estampadas na mobília denunciando a presença do cromo para todo o sempre...!

Os anos passam e os cromos mudam de estilo mas a repetição mantém- se... há discursos que se colam às pessoas e por lá ficam como uma tatuagem! Falo daquelas pessoas que passam o tempo a dizer que não podem comer isto, não podem comer aquilo e aqueloutro e já perderam 200 g's e esperam até ao fim do mês perder 2 kg's... ou daquelas que subitamente despertam para novas realidades e descobrem o caminho para o ginásio, entusiasmadas falam dos progressos na prática da modalidade e correm numa sangria desatada (como se fossem tirar alguém da forca) em direcção à academia de fitness... ou ainda, daquelas (onde me incluo) que já andam a tentar deixar de fumar há meses e tomam nota do nº de cigarros que já fumaram naquele dia propagandeando aos 4 ventos a proeza conseguida de só fumar 5 cigarritos!

Algum tempo depois passamos na esplanada e lá está a entusiasmada senhora da dieta a comer uma suculenta lasanha seguida de um gelado cremoso e gigante... o tipo do ginásio já não aparece por lá há semanas e a malta dos cigarros passou por uma fase de muito stress no trabalho e acabou com a média dos 5 pregos diários!

É banal e desmotivante assistir ao ruir de tantas expectativas... obviamente que a frustração é de quem vê a sua tentativa de fazer dieta, ir ao ginásio ou deixar de fumar escapulir- se como grãos de areia mas, a partir do momento em que, enquanto amigos, nos passam essa ansiedade (partilhando os progressos) tornamo- nos voluntários na missão e confiamos no seu sucesso. Se o resultado é o fracasso todos nos sentimos afectados... e se pouco tempo depois voltamos à mesma lengalenga, simplesmente deixamos de ter paciência para ouvir falar da maldita dieta e do ginásio e do desditoso vício no tabaco!

Irra! Agora vou tentar deixar de fumar sem dizer nada a ninguém... depois de tanto ouvir falar de dietas falhadas e do ginásio cuja mensalidade se pagou mas nem sequer lá se pôs os pés, compreendo como tenho massacrado os meus amigos. Ainda por cima parece que toda a gente se lembrou de embarcar nessa onda ao mesmo tempo... desisto! Querem fazer dieta façam- na em silêncio, querem "dar no ferro" dêem em silêncio, querem deixar de fumar deixem em silêncio! Prometo não mais mencionar o nº de cigarros que esfumacei por dia se prometerem não mais falar da dieta e do ginásio! Tenho dito!

2 comentários:

Paulo Oliveira disse...

Muito bem! Concordo e posso dizer-te que deixei de fumar "em silêncio" (advertido da prática, que referes, pelo meu Pai) e já lá vão uns meses largos. Como já me sabe mal (felizmente e novamente) o tabaco, não creio que voltarei a ele. Ainda bafejo o ocasional charuto ou cigarrilha, mas muito, muito ocasionalmente...

O que o meu Pai (o biológico, não Deus :O)) dizia (e eu acredito porque explica bem o fenómeno) é que assim que dizemos aos outros que estamos a deixar de fumar ou estamos a perder peso, etc. os outros dão-nos feedback positivo, aquele que precisamos e queremos ouvir! Convencidos (subconscientemente) de que isto é meio caminho andado para o sucesso começamos a desleixar-nos, porque o sucesso à partida já devia ser garantido (pois se até os nossos amigos acreditam em nós...)!

Fumava "o normal"? Cerca de 15 cigarros de enrolar por dia, ao fim de um ano tinha reduzido para 10. Ao começar a namorar reduzi, porque a minha namorada não fuma e imagino que incomode (agora incomoda-me até a mim), para 5 cigarros. Pouco depois (algumas semanas) era só a seguir às refeições e gradualmente fui fumando menos. Sempre consciente disto e com o objectivo de deixar o "vício" fui de férias para Espanha e não levei a bolsinha comigo. Ao fim de uma semana sem fumar cheguei a casa, desfiz-me do tabaco que tinha para fumar regularmente e pensei "daqui a uma semana, vamos ver como isto corre vendo as pessoas fumando, estando com os amigos no bar, etc., digo a quem me perguntar, mas não o exponho voluntariamente". Foi boa a terapia, é bom ter maior capacidade pulmonar novamente e conseguir correr sem parar de 100 em 100 metros. Sinto-me bem e confiante (parece uma daqueles frases dos programas para se deixar de fumar - ou alguém a convencer-se por escrito da sua maneira de estar, mas a verdade é essa... sinto-me bem de saúde, melhor, sem tossir, sem nada! Não me arrependo de ter fumado, foi uma experiência, mas é sempre chato ter os pulmões um bocado danificados e à espera de muitos anos para recuperarem). Sempre tive grande força de vontade, no entanto, e acho que ajuda. Há cinco anos, mesmo sem ajuda por parte de outros (todos achavam que não ia conseguir) perdi 10 kgs.

Espero que dê para tirar algumas conclusões ou para, eventualmente, ajudar alguém.

Star * Dust disse...

Boa onda a tua! Também já tentei mudar para tabaco de enrolar e até passei a fumar muito menos... pudera! Não conseguia enrolar cigarros no meio do trânsito e lá voltei ao maço de tabaco! Silenciosamente preparo- me psicologicamente para lutar contra o vício... xiiiuuuu, não digam a ninguém!