sábado, fevereiro 11, 2006

Obrigada, Pai!

Hoje... pela primeira vez, 4 anos e meio depois de ter feito as minhas malas, vieste jantar à minha casa.

(Na verdade...)

Hoje... pela primeira vez, 4 anos e meio depois de ter feito as minhas malas, convidei-te para jantar em minha casa e tu vieste; festejámos juntos o teu 51º aniversário e ...

(Só)

Hoje pela primeira vez, 4 anos e meio depois de ter feito as minhas malas, senti que te perdoava pelos erros do passado e que também tu me perdoavas pelos meus!

As histórias que relembrámos com ternura... o riso solto em cada momento recordado... a nostalgia quando saíste. Lembras-te daquela vez em que fomos andar na tua bicicleta verde e caímos os 2? Tivémos que apanhar boleia de uma carrinha de caixa aberta e fomos lá trás abraçados! E daquelas vezes em que saíamos para apanhar pinhas? E quando me fizeste um arco, no tempo da moda "hula hoop", com um tubo de electricidade que enfeitaste com fita isoladora de várias cores? Não girava tão bem como os das minhas amigas mas era muito mais giro. E quando fizeste um carrinho de cana para brincar na rua? Fui a primeira da rua a ter um daqueles e ainda tiveste que ensinar os pais dos outros meninos a fazer o carrinho. E quando me ensinaste a conduzir no descampado junto ao campo de futebol?

Tantas memórias... sinto que me reconciliei com o meu melhor amigo de sempre e por isso devolvo-te o estatuto de Super Pai (aquele que uma vez, depois de uma discussão, tirei da parede do hall)!

3 comentários:

psychic disse...

A distância (física) ajuda a curar certas feridas, a relação com os pais tem tendência a melhorar quando saímos de casa deles.
Fico muito feliz por ti...

Vanda Barata disse...

Por muito "mal" que eles nos façam (e, reforço as aspas, porque é sempre um mal muito subjectivo, um mal quase sempre inconsciente, um mal sem maldade e, muitas vezes, o reflexo do "mal" que, também, nós, uma vez, protagonizámos), nunca deixamos de amá-los.

Li um texto bonito, sincero e comovente.

Rita disse...

Fiquei sem palavras... também já tive os meus atritos com o meu pai... e sei o quanto doi... fico feliz por estar tudo bem : )))