sexta-feira, dezembro 23, 2005

Limite do razoável

Suspeito de que o meu director anda a testar os meus limites, há fortes indícios de que o anda a fazer; desconheço o propósito da experiência mas desconfio que pretende descobrir onde termina a escala da minha paciência e em que ponto atinge a fase de ebulição. Sem margem para dúvidas, tem levado a efeito um grande esforço para instigar a cólera que tento conter... não sei até quando... como alguém dizia "estou à beira do abismo, prestes a dar um passo largo em frente", quero com isto dizer que já duvido da minha capacidade de resistência à provocação e que, à próxima, sou bem capaz de lhe dar uma cuspidela nos olhos!

Só esta experiência digna do prof. Pardal pode legitimar que em menos de 1 mês tenha cometido erros astronómicos prejudicando seriamente o meu trabalho, logo, o meu desempenho e consequentemente, a empresa que dirige de forma hábil e singular, como nenhum outro seria capaz de fazer! (Se de forma positiva, se de forma negativa... não sei; tirem as vossas ilações que eu já tirei as minhas!)

Todo o trabalho de 3 anos, engenhosamente organizado no complexo sistema informático da empresa, desapareceu sem deixar rasto por ordens do director... magia, dirão alguns... descuido, dirão outros... eu digo: é preciso ter azar! Não há problema, responde quando peço satisfações, faz-se um backup! Ironia do destino, era possível recuperar todo e qualquer documento daquela empresa à excepção dos meus devido a um erro de configuração do malfadado sistema, que o próprio director configurou! Os que tinham suporte físico salvaram-se, os outros desapareceram para todo o sempre. Desditosa engulo em seco e reclamo entre dentes: Maldição!

Pouco tempo depois, ainda digerindo o apagão dos documentos... novo reset no sistema, de novo provocado pelo director! Uma semana de trabalho evapora-se... alternativa só há uma: refazer tudo! Incrédula peço novamente satisfações... um encolher de ombros e um sorriso atrapalhado desarmam o meu arsenal de argumentos. Deve ter sido culpa minha e desta minha mania de não deixar para amanhã o que posso fazer hoje, se tivesse adiado não teria feito o mesmo trabalho duas vezes. Mental note (ao estilo Parker Lewis): daqui para a frente fazer tudo à última hora!

Last, but not the least: alteração da senha de acesso ao e-mail sem aviso prévio. Várias mensagens aguardam resposta com brevidade, problema no acesso à caixa de correio, erro na configuração... para não variar, levada a cabo pelo director!

Esgotam-se as forças para resistir à tentação de ser rude. O que virá depois? Será seguro ir trabalhar amanhã? A minha sanidade mental ressente-se dos atentados à paciência... felizmente, até agora só experimentei 2 tipos de reacção: um calor nas maçãs do rosto que fervilham numa vontade gigante de chorar de raiva e uma força que me leva ao riso desmedido que não consigo conter... esforço-me por segurar a gargalhada mas sou incapaz de disfarçar um sorrisinho parvo denunciado pela covinha na face!

A sorte do senhor director (para além de ter idade para ser meu pai, quase avô) é que, apesar de tudo, simpatizo com ele... senão, acho que o despedia e ainda lhe auferia um golpe ao melhor estilo da série Dragon Ball!

1 comentário:

Vanda Barata disse...

É preciso ter muito azar... E paciência! Porque no teu lugar não sei se me ficava pelo fervilhar das maçãs de rosto...